Jorge Bhering de Oliveira Mattos: política, esporte e a presidência do Vasco nos anos 1930
Jorge Bhering de Oliveira Mattos nasceu em 17 de janeiro de 1905, no Rio de Janeiro. Pertencente a uma geração que acompanhou a expansão do esporte brasileiro nas primeiras décadas do século XX, desenvolveu atividades que o aproximaram da política, do empresariado e da direção de instituições esportivas. Foi também um dos pioneiros da aviação esportiva no Brasil, atividade que compartilhou com seu filho Darke. Itajaipedia Sua chegada à presidência do Vasco ocorreu em um momento de transformações no futebol brasileiro. O profissionalismo, implantado no Rio de Janeiro em 1933, havia provocado profundas divergências entre clubes e dirigentes, envolvendo diferentes concepções sobre a organização do esporte. Mattos já havia sido eleito presidente do Vasco em 30 de dezembro de 1932, mas declinou do cargo antes de tomar posse. Três anos depois, voltou a disputar a presidência, desta vez assumindo efetivamente o comando da instituição. Vasco +1 A eleição de 1935 e a conquista do título carioca Em 26 de dezembro de 1935, Jorge Mattos foi eleito presidente do Vasco com 60 votos. A edição de O Radical do dia seguinte publicou uma reportagem sobre a eleição, acompanhada de uma fotografia do novo presidente e de seus colaboradores. A chapa vencedora incluía Pedro Novaes, que posteriormente também presidiria o clube. Hemeroteca PDF Documento histórico O Radical, 27 de dezembro de 1935, com reportagem e fotografia da eleição presidencial do Vasco. Consultar o jornal na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional Durante sua administração, o Vasco conquistou o Campeonato Carioca de 1936, organizado pela Federação Metropolitana de Desportos (FMD). Sob o comando técnico de Harry Welfare, o time contava com jogadores como Rei, Poroto, Itália, Zarzur, Feitiço e Orlando. O campeonato foi decidido contra o Madureira. Após uma vitória para cada equipe em dezembro de 1936, o Vasco venceu a partida decisiva, realizada em 14 de março de 1937, por 2 a 1. História… +1 A pacificação do futebol carioca Outro acontecimento de sua presidência foi a reunificação do futebol do Rio de Janeiro em 1937. Depois de anos de disputas entre entidades esportivas rivais, dirigentes do Vasco e do America participaram das negociações que resultaram na criação da Liga de Futebol do Rio de Janeiro. Em 31 de julho de 1937, Vasco e America disputaram o chamado Clássico da Paz, que simbolizou a aproximação entre os clubes anteriormente vinculados a ligas distintas. Wikipédia Além do Vasco Jorge Mattos também desenvolveu atividades na aviação e no esporte náutico. Em 1944, exerceu a função de comodoro do Yacht Club do Rio de Janeiro. Posteriormente, ocupou cargos na Fundação da Casa Popular, instituição federal voltada à habitação popular. Sua atuação está associada à história urbana de Itajaí, em Santa Catarina, onde uma rua recebeu seu nome em 1953. Itajaipedia Essas informações permitem ampliar sua biografia para além de São Januário, investigando as relações entre dirigentes esportivos, empresários e instituições públicas no Brasil de meados do século XX. Fontes e próximos passos da pesquisa Para desenvolver uma biografia mais completa, três documentos merecem atenção especial: a reportagem de O Radical de dezembro de 1935, a matéria de O Imparcial de dezembro de 1936 sobre sua reeleição e os registros da administração vascaína durante a reunificação do futebol em 1937. Também seria importante localizar sua data de falecimento, identificar suas atividades empresariais e examinar com maior profundidade sua atuação como vereador. Esses dados ainda precisam de confirmação documental. A combinação da lista oficial de presidentes do Vasco , da Hemeroteca Digital e do Acervo Digital do Vasco permitirá transformar este esboço em uma biografia histórica mais extensa, com referências e documentação de época. Jorge Bhering de Oliveira Mattos (1905–1982): do pioneirismo esportivo à presidência do Vasco da Gama Esboço biográfico — Jorge Medeiros, sociólogo Texto preliminar elaborado a partir dos recortes de jornais, documentos acadêmicos e informações reunidas durante a pesquisa. Alguns dados biográficos e cronológicos ainda dependem de confirmação. Introdução Jorge Bhering de Oliveira Mattos pertenceu a uma geração de dirigentes esportivos cuja atuação ultrapassou os limites dos clubes e se estendeu ao empresariado e à política brasileira. Presidente do Club de Regatas Vasco da Gama entre 1935 e 1937, destacou-se anteriormente como nadador, remador e dirigente do Clube de Regatas Boqueirão do Passeio. Nas décadas seguintes, ocupou posições de destaque em instituições empresariais e participou das articulações políticas contrárias ao governo João Goulart, deposto pelo golpe civil-militar de 1964. Sua trajetória oferece uma oportunidade de compreender as relações entre o esporte, a formação de redes sociais, o desenvolvimento industrial e a participação política de setores do empresariado brasileiro ao longo do século XX. 1. Origens familiares, Paquetá e os primeiros contatos com o esporte Nascido no Rio de Janeiro, em 17 de janeiro de 1905, Jorge Bhering de Oliveira Mattos pertencia a uma família ligada à tradicional indústria alimentícia Bhering. Sua infância e juventude estiveram associadas ao ambiente marítimo carioca, especialmente à Ilha de Paquetá e às praias da região central da cidade. Em reportagem da série Ídolos de Ontem, intitulada "Jorge de Matos lançou o estilo crawl no Brasil", o jornalista Hélio F. Rocha recuperou episódios da infância do antigo dirigente vascaíno. Um deles ocorreu quando Jorge tinha apenas oito anos e passeava de barco com seu irmão Darke nas proximidades da Ilha de Paquetá. A embarcação virou em um local onde os dois meninos não conseguiam ficar de pé, colocando suas vidas em perigo. O acidente, entretanto, não afastou Jorge das atividades aquáticas. Ainda jovem, passou a frequentar a Praia do Flamengo, onde aprendeu a nadar e iniciou seus treinamentos. Naquele período, a prática da natação no Rio de Janeiro ainda estava fortemente associada ao mar, antes da expansão das piscinas e de instalações esportivas especializadas. A relação da família Bhering de Mattos com Paquetá constitui um aspecto que merece aprofundamento. A identificação de imóveis, parentes e registros de residência poderá ajudar a compreender melhor as origens familiares do futuro presidente do Vasco. 2. O pioneirismo na natação e a carreira de remador Antes de alcançar projeção como dirigente, Jorge Mattos construiu uma trajetória como atleta. Segundo Hélio F. Rocha, ele esteve entre os pioneiros da introdução do estilo crawl na natação brasileira. A reportagem relata que, durante sua juventude, Jorge observou a técnica utilizada por Abraão Saliture, nadador de destaque naquele período. A partir dessas experiências, começou a desenvolver uma forma diferente de nadar, apresentando-a em competições com seus companheiros. Embora a reportagem lhe atribua a introdução do crawl no Brasil, essa primazia ainda precisa ser confrontada com outras fontes esportivas da época. Sua carreira também se desenvolveu no remo. Representando o Clube de Regatas Boqueirão do Passeio, conquistou o título de campeão de remo do Rio de Janeiro. Um dos recortes jornalísticos reunidos para esta pesquisa destaca sua atuação como sculler e sua conquista do título de Campeão do Remador. Além da natação e do remo, existem referências à sua participação em competições de polo aquático. Posteriormente, Jorge Mattos chegou à presidência do Boqueirão do Passeio. A experiência acumulada como atleta e administrador esportivo ajuda a compreender sua inserção nas redes de dirigentes dos clubes cariocas e sua posterior chegada à presidência do Vasco. 3. A chegada à presidência do Vasco da Gama A aproximação de Jorge Mattos com a direção do Vasco ocorreu em um período de profundas transformações no futebol brasileiro. A década de 1930 foi marcada pela implantação do profissionalismo, pela reorganização das entidades esportivas e por disputas entre diferentes grupos dirigentes. Em dezembro de 1932, Jorge Mattos chegou a ser eleito presidente do Vasco, mas não assumiu o cargo. Três anos depois, em dezembro de 1935, voltou a disputar a presidência, sendo eleito para dirigir o clube no biênio 1936–1937. Sua administração coincidiu com um momento importante da história vascaína. O clube procurava consolidar sua posição entre as principais instituições esportivas do país, ao mesmo tempo que enfrentava os desafios financeiros e administrativos decorrentes da profissionalização do futebol. Durante sua presidência, o Vasco conquistou o Campeonato Carioca de 1936, organizado pela Federação Metropolitana de Desportos. A equipe, dirigida pelo antigo ídolo vascaíno Harry Welfare, reunia jogadores como Rei, Itália, Zarzur, Feitiço e Orlando. A conquista foi confirmada em março de 1937, após uma série decisiva contra o Madureira. Outro acontecimento importante de sua administração foi a reunificação do futebol carioca em 1937. Depois de anos de divergências entre entidades rivais, as negociações entre dirigentes contribuíram para a criação da Liga de Futebol do Rio de Janeiro. O chamado Clássico da Paz, disputado entre Vasco e America em julho de 1937, simbolizou esse processo de reconciliação esportiva. Ao término de seu mandato, Jorge Mattos deixou a presidência do Vasco, encerrando uma passagem marcada pela conquista de um título carioca e pela reorganização institucional do futebol do Rio de Janeiro. 4. A indústria Bhering e a atuação empresarial Paralelamente à sua atuação esportiva, Jorge Mattos desenvolveu uma carreira empresarial associada à Companhia Bhering S.A. Sociedade Alimentícia, tradicional fabricante de chocolates e outros produtos alimentícios do Rio de Janeiro. A Fábrica Bhering, fundada em 1880, integrou o processo de industrialização da capital federal e consolidou-se como uma das marcas conhecidas da indústria alimentícia carioca. A relação de Jorge com a empresa, identificada em documentação acadêmica e nos anúncios de seu falecimento, permite situá-lo entre os empresários que ampliaram sua atuação nas entidades representativas da indústria brasileira. Jorge Mattos exerceu a presidência do Centro Industrial do Rio de Janeiro, participou do Conselho Nacional de Classes Produtoras e foi o primeiro diretor-geral do Instituto Euvaldo Lodi (IEL). No IEL, defendeu a aproximação entre universidades e empresas, propondo entendimentos com o Ministério da Educação para transformar o conhecimento científico em novos produtos industriais. Essa proposta expressava uma preocupação com a modernização da produção e a formação de profissionais capazes de atender às necessidades da indústria nacional. Sua trajetória também esteve vinculada ao setor imobiliário, conforme demonstra o anúncio fúnebre publicado pela Imobiliária Darke S.A. em 1982. 5. O empresariado, a Escola Superior de Guerra e o golpe de 1964 A trajetória política de Jorge Bhering de Mattos constitui outra dimensão relevante de sua biografia. Além de sua participação em instituições empresariais, manteve vínculos com a Escola Superior de Guerra (ESG) e com a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG). De acordo com o documento acadêmico reunido nesta pesquisa, integrou o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) desde sua fundação. O instituto reuniu empresários, intelectuais e militares que desenvolveram atividades de oposição ao governo João Goulart e participaram das articulações que antecederam o golpe civil-militar de 1964. O mesmo documento identifica Jorge Mattos como crítico do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) e opositor do governo Goulart. Sua atuação permite observar a presença de antigos dirigentes esportivos em organizações empresariais e políticas que tiveram participação nos acontecimentos de 1964. A passagem de Jorge Mattos pelo Vasco, entretanto, deve ser distinguida de suas posições políticas posteriores, evitando atribuir ao clube as escolhas individuais de seu antigo presidente. A investigação desse período poderá ser aprofundada com a documentação do IPES e com os estudos de René Armand Dreifuss sobre a participação de setores empresariais na deposição de João Goulart. 6. A vida familiar e os últimos anos Os anúncios fúnebres publicados em maio de 1982 permitem recuperar informações sobre a família e os últimos anos de Jorge Mattos. Foi casado com Vera Falcão Bhering de Mattos. Entre os familiares mencionados nos anúncios encontram-se Darke Resende Bhering de Mattos e Astéa Bhering de Oliveira Mattos. Sua atuação empresarial permaneceu reconhecida até o final da vida. Por ocasião de seu falecimento, tanto o Instituto Euvaldo Lodi quanto o Centro Industrial do Rio de Janeiro publicaram homenagens ao antigo dirigente. Jorge Bhering de Oliveira Mattos faleceu em maio de 1982. Os anúncios convidavam familiares, amigos, empresários e funcionários para a missa de sétimo dia, marcada para 10 de maio, na Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. A data exata de seu falecimento ainda depende de confirmação. Considerações finais A biografia de Jorge Bhering de Oliveira Mattos revela uma trajetória que atravessou diferentes ambientes da sociedade brasileira do século XX. Sua formação como nadador e remador esteve vinculada à cultura marítima carioca, especialmente às experiências de infância em Paquetá e à prática esportiva na Praia do Flamengo. Posteriormente, sua participação no Boqueirão do Passeio e no Vasco da Gama permitiu que alcançasse posições de destaque na administração esportiva. À frente do Vasco, participou de um período de consolidação do futebol profissional, marcado pela conquista do Campeonato Carioca de 1936 e pela reunificação das entidades futebolísticas em 1937. Nas décadas seguintes, sua atuação deslocou-se progressivamente para as organizações empresariais e políticas. Sua participação no IPES e sua oposição ao governo João Goulart demonstram sua inserção nas articulações de setores empresariais que apoiaram o golpe de 1964. A reconstrução de sua trajetória contribui, portanto, para uma história social dos dirigentes esportivos brasileiros, considerando suas origens familiares, experiências atléticas, atividades empresariais e participação na vida política nacional. Referências iniciais e questões em aberto A documentação reunida já permite apresentar este texto como um esboço biográfico. Para uma versão definitiva, ainda será necessário confirmar a data exata de falecimento, aprofundar a genealogia familiar e identificar a edição da reportagem de Hélio F. Rocha. Uma fonte adicional, O Imparcial, de 1º de dezembro de 1935, confirma que Jorge Mattos ainda presidia o Boqueirão às vésperas de sua eleição no Vasco. A reportagem também revela que sua candidatura provocou controvérsias entre dirigentes esportivos. 15 As principais referências para a continuidade da pesquisa são: Lista oficial de presidentes do Vasco , que confirma suas eleições e posses em 26 de dezembro de 1935 e 28 de dezembro de 1936. Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional , especialmente os jornais O Imparcial e O Radical. ⦁ René Armand Dreifuss, 1964: A conquista do Estado: ação política, poder e golpe de classe, para contextualizar suas relações com o empresariado e o IPES. ⦁ Os recortes da série Ídolos de Ontem e os anúncios fúnebres de maio de 1982, apresentados nesta pesquisa. Nota de pesquisa: uma referência biográfica também registra um casamento com Cornélia Luiza Peixoto de Rezende, em 1929. A cronologia familiar deve ser confrontada com os anúncios fúnebres antes de se estabelecer a sequência de seus casamentos.
Marcadores: presidentes

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial