terça-feira, 8 de setembro de 2026

Castro Filho - O presidente do Vasco mais progressista

Biografia de Manoel Ferreira de Castro Filho: Arte, Política e o Destino Cruzmaltino Manoel Ferreira de Castro Filho (1910–1986) foi uma das personalidades mais multifacetadas e influentes da história política, cultural e esportiva do Rio de Janeiro no século XX. Bacharel em Ciências e Letras, dividiu sua trajetória entre as artes plásticas, o magistério e a alta gestão institucional. Como pintor formado pela Escola Nacional de Belas Artes, deixou obras notáveis — a exemplo do óleo sobre tela "Anoitecer na Várzea" (1986). Sua relevância no cenário artístico o levou à presidência da Sociedade Brasileira de Belas Artes, além de atuar como professor de Desenho e História da Arte no Colégio Bennett e no Ensino Técnico municipal. No campo cultural, ocupou ainda o prestigiado cargo de Diretor Geral do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A Presidência do Vasco da Gama e o Esquadrão de 1944 A entrada de Castro Filho na alta política do Club de Regatas Vasco da Gama ocorreu em 10 de abril de 1944. Escolhido pelo Conselho Deliberativo para suceder o icônico mandatário Cyro Aranha — que se afastava temporariamente —, Castro Filho assumiu a presidência administrativa com a missão de dar continuidade ao projeto do lendário "Expresso da Vitória". A parceria entre Castro Filho e Cyro Aranha ia além do futebol; ambos compartilhavam de um profundo espírito cívico. Juntos, lideraram a campanha patriótica que resultou na doação do avião "Vasco da Gama" às Forças Aéreas Brasileiras (FAB) durante a Segunda Guerra Mundial, unindo a capacidade discursiva e emocional do professor ao suporte administrativo do clube. O Comício de Prestes e a Crise de 1945 O ápice da gestão de Castro Filho ocorreu em maio de 1945, em meio ao processo de redemocratização do Brasil e ao fim do Estado Novo de Getúlio Vargas. Com a anistia e libertação do líder comunista Luiz Carlos Prestes, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) buscou um espaço de grande capacidade para realizar seu primeiro grande comício em liberdade. Movido por princípios democráticos e republicanos — e respaldado por Cyro Aranha, então vice-presidente —, Castro Filho autorizou a cessão do Estádio de São Januário para o evento. O comício entrou para a história ao reunir mais de 100 mil pessoas. No entanto, o evento deflagrou uma monumental crise interna no Vasco da Gama. Alas conservadoras, sócios influentes e conselheiros que haviam orbitado em torno da Ditadura Vargas protestaram energicamente contra a abertura dos portões ao comunismo. Diante da insustentável pressão política, Castro Filho apresentou sua renúncia em maio de 1945, sendo sucedido por Jayme Fernandes Guedes. Em sinal de lealdade e solidariedade ao companheiro de diretoria, Cyro Aranha também renunciou ao seu cargo de vice-presidente. CRONOLOGIA DA CRISE DE 1945 Abril/1944 Maio/1945 Maio/1945 Castro Filho ┌───────────────────────┐ Renúncia de Castro Filho assume a │ Comício de L.C.Prestes│ ──> e Cyro Aranha diante da presidência │ (100 mil pessoas) │ pressão conservadora └───────────────────────┘ O Impacto na Crônica e na Intelectualidade Nacional A saída voluntária do Professor Castro Filho reverberou fortemente na intelectualidade brasileira, transformando-se em um marco da literatura esportiva da época:  José Lins do Rego: O célebre escritor defendeu publicamente o dirigente. Para Zé Lins, punir Castro Filho era um ato de "covardia política" e "atraso institucional", argumentando que os estádios pertenciam ao povo e que abrir São Januário havia sido um gesto de grandeza cívica.  Álvaro Nascimento (Cascadura): Principal cronista do Jornal dos Sports, Nascimento dedicou diversos textos para exaltar o perfil culto e idealista do presidente injustiçado. Ele lamentou que as pressões mesquinhas do futebol tivessem sufocado uma gestão tão elegante, imortalizando o gesto de Castro Filho como o sacrifício de um homem que se recusou a negociar seus princípios democráticos. A Liderança e os Grandes Cargos nas Décadas de 1950 e 1960 Mesmo após deixar a presidência executiva, o Professor Castro Filho manteve uma liderança política e institucional gigantesca no Vasco da Gama durante as décadas de 1950 e 1960. Longe de se limitar ao papel de um orador de bastidores, os registros históricos provam que ele continuou sendo uma das mentes mais brilhantes, respeitadas e influentes da política interna vascaína, assumindo cargos de máxima relevância na colina:

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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Francisco Marques da Silva – Um ex-presidente marcante na história do Vasco

Em 1948, quando o Club de Regatas Vasco da Gama celebrava meio século de existência, ergueram-se homenagens que buscavam cristalizar sua memória. Entre quadros e retratos de ex-presidentes, surgia a figura de um comerciante português, vindo de Ovar, no norte de Portugal: **Francisco Marques da Silva**. Não nascera vascaíno, nem fora fundador, mas cedo se tornaria um dos pilares da instituição. Seu coração, inicialmente voltado ao América — clube que atraía a colônia portuguesa —, foi conquistado pelo Vasco em meados da década de 1910. Em dezembro de 1917, assumiu a presidência, e a partir de 1918 sua presença se tornaria constante, até o retorno definitivo à terra natal em 1927. Em 1920, viveu uma eleição acirrada contra Marcílio Telles, disputa que dividiu o clube em duas alas: portugueses ao lado de Marcílio, brasileiros ao lado de Francisco. José da Silva Rocha, memorialista apaixonado, registrou essa batalha como um marco da vida política vascaína. Por razões econômicas e familiares, Marques regressou a Portugal em 1921, mas voltou em 1923, a tempo de testemunhar a consagração do futebol cruzmaltino com o título carioca. Desde sua primeira gestão, empenhou-se em fortalecer o departamento de futebol, enfrentando a resistência dos remadores que viam o Vasco como um clube essencialmente náutico. Com aliados influentes, como o lendário **José Ribeiro de Paiva**, o “Almirante”, abriu espaço para operários e negros, excluídos dos grandes clubes, formando um elenco que mudaria a história. Na Tijuca, Marques e sua esposa Guiomar viviam intensamente: esportes, religião, carnaval. Presidiu clubes sociais como o Everest, o Orfeão Português e o Grupo Dramático do Andaraí, onde Guiomar também brilhava. Engajaram-se em campanhas solidárias, mobilizando recursos para soldados portugueses na Primeira Guerra Mundial. Foi um dos principais articuladores da compra do terreno de São Januário e colaborador ativo na construção do estádio, figurando entre os quinze maiores contribuintes. Recebeu, por isso, o título de **Grande Benemérito**, honraria concedida a apenas três pessoas até 1948. Mas sua vida sofreu um golpe em 1926, com a morte de Guiomar, considerada por muitos como uma das mais fervorosas vascaínas. “Sua casa era uma extensão da sede do clube”, escreveu José da Silva Rocha. Pouco depois da inauguração de São Januário, em 1927, Marques partiu para Portugal, sem jamais retornar ao Brasil. Antes da despedida, doou ao clube seu automóvel para transportar jogadores. Em 1931, quando o Vasco excursionou pela Europa, uma das partidas foi em Ovar, sua cidade natal, onde ele se envolveu com o futebol local e ajudou a erguer um estádio. Em 1948, o Vasco buscou reunir ex-presidentes e fundadores. Marques, debilitado, recusou o convite, mas recebeu homenagens em crônicas de Álvaro Nascimento e José da Silva Rocha. Nascimento descreveu-o como “coração bem formado, tolerante, respeitador das convicções alheias, querido até por adversários”. Em resposta, Marques escreveu: “Se é certo que trago sempre no coração o nome do glorioso Vasco da Gama, a carta evocadora do seu cinquentenário elevou ainda mais em mim a chama de uma amizade que se gerou”. Os últimos dez anos de sua vida foram marcados por problemas de saúde. Faleceu em 1959, aos 77 anos, em Ovar. No Rio de Janeiro, o Vasco lhe prestou homenagens com missas e anúncios nos jornais, perpetuando sua memória como um dirigente que ajudou a moldar o destino do clube.

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domingo, 6 de setembro de 2026

Guiomar Marques da Silva: uma memória centenária (1926-2026)

Em 25 de setembro de 2026, completam-se 100 anos da morte de Guiomar Marques da Silva, uma das grandes torcedoras e figuras femininas dos primeiros anos do Club de Regatas Vasco da Gama. Poucas mulheres tiveram papel tão relevante na história do clube quanto ela. Esposa de Francisco Marques da Silva — presidente do Vasco em três ocasiões (1919 a 1921) — Guiomar esteve sempre na linha de frente das atividades sociais e esportivas da instituição. Embora seu legado ainda seja pouco conhecido, a consulta aos jornais da época revela o quanto sua presença foi decisiva para a consolidação do clube e para o fortalecimento da torcida vascaína. Ao lado de Avelina Portela (primeira mulher benemérita de um grande clube) e Josefa Pereira (primeira chefe de torcida do Vasco, segundo o jornalista Álvaro Nascimento), Guiomar — reconhecida como a primeira sócia remida do Vasco — compõe o “trio de ouro feminino” que marcou os principais momentos da história vascaína antes da construção de São Januário. A presença feminina no Vasco sempre foi marcante: nas arquibancadas acompanhando as regatas, nos piqueniques em Paquetá ou nas festas na sede da Rua Santa Luzia. Essa geração cresceu vendo o clube brilhar no remo, mas ainda como “primo pobre” do futebol. Francisco Marques da Silva, comerciante português e dirigente ousado, foi um dos responsáveis pela criação do departamento de futebol, abrindo espaço para jogadores vindos dos clubes suburbanos — muitos deles negros e operários — que se tornaram craques do time. O casal também se destacava na vida cultural e religiosa da cidade. Francisco presidiu o Orfeão Português, uma das várias associações luso-brasileiras da época, enquanto Guiomar atuava como diretora de noviças na Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores. Entre 1921 e 1923, viveram em Portugal, retornando ao Brasil para celebrar o título inédito de futebol conquistado em 1923. A convivência com atletas e dirigentes era constante, seja na sede de Santa Luzia, no campo da Tijuca (Rua Morais e Silva) ou em sua residência na Rua Barão de Mesquita. Pouco se sabe sobre detalhes pessoais de Guiomar, como sua data de nascimento ou se teve filhos. Mas sua paixão pelo Vasco foi registrada nos jornais: “a distinção dispensada aos vascainos, a fidalgia com que eram recebidos em seu lar, deixam indelével recordação e imperecível saudade”. Sua popularidade ficou evidente no dia do enterro, acompanhado por mais de 100 automóveis até o cemitério. Em 1927, Francisco doou ao clube o automóvel do casal, alegando que o veículo trazia muitas lembranças das viagens às regatas e aos campos de futebol. Um gesto simbólico de uma história de amor que uniu paixão esportiva e afetiva. A memória de Guiomar foi preservada com o batismo de um barco de remo em sua homenagem nos anos 1940, além de sua inclusão no livro *Polyanthea Vascaína* (1927), no volume comemorativo do cinquentenário (1948) e em diversas crônicas de Álvaro Nascimento no *Jornal dos Sports*.

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domingo, 25 de janeiro de 2026

Olimpio Pio - fundador da Torcida Organizada do Vasco

**Pioneiros da Torcida Organizada do Vasco** No início da década de 1940, quando o futebol ainda se confundia com a própria respiração da cidade, a torcida do Vasco ousou inaugurar um novo modo de vibrar: nasceu a primeira torcida uniformizada do Rio de Janeiro. À frente desse movimento estava Olimpio Pio dos Santos, figura discreta, mas incansável, que, ao lado do expansivo João de Luca, transformou arquibancadas em palcos e ruas em rios de gente. Pouco se sabe da vida íntima de Olimpio (1899–1971), mas por uma década sua presença foi chama constante entre os cruzmaltinos. Nas eleições do clube, nos jogos decisivos, nas comemorações que transbordavam do estádio para a cidade, lá estava ele — discreto, mas firme, conduzindo a massa como quem rege uma sinfonia invisível. Ainda nos anos 1930, quando a ausência de Polar, o grande líder da torcida, abriu espaço para novas vozes, a dupla Olimpio e De Luca assumiu o comando natural dos apaixonados. Não havia ainda uma torcida organizada, mas já se percebia o fervor que levava os vascainos a atravessar bairros e fronteiras para acompanhar o time. Em São Januário, um setor pulsava diferente, como se cada grito fosse tambor de guerra. O verdadeiro engajamento veio em 1941, na campanha de Cyro Aranha à presidência. Foi um movimento popular, quase épico, que uniu associados e torcedores em torno de um ideal. A vitória de Cyro abriu um período glorioso: memória preservada, aviões doados ao Brasil, um novo hino ecoando nos salões, festas juninas e carnavais que faziam do clube um coração pulsante da cidade. Em cada iniciativa, lá estavam Olimpio e De Luca — o primeiro nos bastidores, articulando com jornais e rádios; o segundo, com megafone em punho, incendiando arquibancadas ao som do “Casaca!”. No fim de 1942, inspirados pelos cinejornais que mostravam torcidas norte-americanas em êxtase, anunciaram a criação da torcida uniformizada do Vasco. A novidade, já ensaiada em São Paulo, encontrou no Rio seu terreno fértil. Mario Filho, em suas colunas, clamava para que os cariocas aderissem ao estilo. E foi no calor dessa atmosfera que os cruzmaltinos se tornaram pioneiros. O auge veio em 1945, quando o Expresso da Vitória deslizou pelos gramados e a cidade se rendeu. A charge de Lorenzo Molas eternizou o momento, mas foi a torcida que deu corpo à epopeia: bandeiras tremulavam, fogos riscavam o céu, e uma faixa unia milhares de vozes — “Com o Vasco onde estiver o Vasco”. A conquista incendiou a cidade. Uma passeata monumental tomou a Avenida Rio Branco: carros alegóricos, multidões a pé, cantos que misturavam carnaval e devoção. O Vasco, clube do povo, celebrava como nunca antes visto. O êxtase espalhou-se pelas ruas, pelos bares, pelas esquinas — um título que não apenas marcou época, mas gravou na memória coletiva o poder de uma torcida que soube reinventar o ato de torcer.

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Entre Dor e Orgulho: A Torcida do Vasco em 2025

A torcida do Vasco da Gama, eterna guardiã da Cruz de Malta, atravessou o ano de 2025 como quem vive uma epopeia: feita de fé, dor, esperança e orgulho. Cada jogo foi mais que noventa minutos de futebol — foi um ritual de paixão, uma celebração da identidade vascaína. Foi o ano em que Phillipe Coutinho recuperou o bom desempenho e voltou a ser protagonista nas partidas do Vasco, liderando o meio-campo com jogadas decisivas. Ao seu lado, o atacante Rayan se firmou como uma das principais revelações do clube, destacando-se pela velocidade e pela capacidade de decidir jogos. Mas nem só de glórias se fez o calendário. O fracasso em competições foi a tônica de muitos meses, e os protestos ecoaram como tambores de inconformismo. Fora das quatro linhas, a massa se dividiu: parte apoiava o presidente Pedrinho, enquanto outra se organizava em oposição, fortalecida pelo movimento **“Vasco, o Clube do Povo”**, conduzido por Martinho da Vila. Ali, a democracia vascaína pulsava, reafirmando que o Gigante da Colina é, antes de tudo, popular e plural. São Januário, templo da paixão, foi palco de momentos simbólicos. O padre **Júlio Lancellotti** recebeu a camisa cruzmaltina em cerimônia comovente, reafirmando o caráter solidário da instituição. A **Feira Vascaína** transformou o estádio em mercado de afetos e economia popular, onde mãos vascaínas criavam e vendiam, e corações se encontravam. O ano também trouxe luto. Partiu o jornalista **Áureo Ameno**, voz respeitada e apaixonada pelo clube. Sua ausência deixou silêncio, mas sua memória ecoou em homenagens e cânticos. Também se despediram Tia Sueli, guerreira da Força Jovem, e Zeca, liderança dos Pequenos Vascaínos. Cada perda foi uma ferida aberta, mas também um testemunho da força comunitária que sustenta o Vasco. Entre lágrimas e lembranças, nasceu também reflexão. O livro **“Vascainidades”**, de André Garone, mergulhou na identidade e memória do clube, enquanto o **Centro de Memória** promoveu debates que entrelaçaram história, política e paixão. O Vasco reafirmava-se como mais que futebol: um fenômeno cultural. Nas redes sociais, a torcida mostrou sua potência. Hashtags como **#GiganteEmCadaCanto** e **#VascoÉResistência** incendiaram os trending topics, levando o espírito vascaíno para além dos estádios. Memes, transmissões e vídeos multiplicaram vozes, conectando gerações em tempo real. E se houve um símbolo maior, foi Gui. O menino de 11 anos, portador de epidermólise bolhosa, tornou-se amuleto e inspiração. Em novembro, recebeu das mãos de Bebeto o prêmio de “Melhor Torcedor” no The Best Football Awards. Sua história emocionou milhões, lembrando que o Vasco é feito de humanidade, não apenas de vitórias ou derrotas. O destino reservou ainda ironias aos rivais. Enquanto o Vasco mostrava sua força no Maracanã, eles caíam ao longo do ano diante de gigantes europeus como Bayern e Chelsea. Para os vascaínos, foi mais um motivo de cantar alto. E eterno foi também o espetáculo da final da Copa do Brasil. O Maracanã, tomado por uma maré cruzmaltina, viu erguer-se um **mosaico monumental**: a Cruz de Malta em vermelho e preto, acompanhada da frase “Gigante da Colina, eterno”. A imagem correu o mundo. Dentro de campo, o Vasco lutou com bravura. Nuno Moreira marcou no primeiro tempo, mas o Corinthians venceu por 2 a 1. A derrota não apagou a chama. Bandeiras tremulavam como ondas, vozes uníssonas estremeciam o concreto, e lágrimas se misturavam entre tristeza e orgulho. O Maracanã foi testemunha de que o Vasco não é apenas um clube: é uma paixão que atravessa gerações, uma história que nunca se apaga.

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quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Resistiremos – 2023

“No vá bajar” Ramon Días, Técnico argentino do Vasco Resistiremos – 2023 Mais um ano de muitas dificuldades para o torcedor vascaíno que viu novamente em campo um elenco que decepcionou em todas as competições disputadas. O melhor mesmo ficou nas arquibancadas e nas redes sociais quando o clube e seus torcedores deram um show de apoio e amor ao Vasco da Gama. Talvez a maior motivação era a celebração do centenário do primeiro título da lendária época dos Camisas Negras (1923-2023). A temporada começou com uma triste notícia: o maior ídolo do clube, o ex-atacante Roberto Dinamite, morria em 8 de janeiro. No dia seguinte uma multidão de torcedores vai ao estádio de São Januário para se despedir do seu artilheiro. Ao longo de sua vitoriosa carreira, Roberto formou várias gerações de torcedores. Até o presidente Lula fez questão de elogiar o jogador: “admirava muito o seu futebol bonito, ofensivo”. E por falar em atacante, a grande promessa de gols para o Vasco para este ano era Pedro Raul. A contratação do artilheiro do campeonato brasileiro do ano anterior criou uma forte esperança de manter a tradição do Clube da Colina ter os melhores atacantes do país. De janeiro até o início de abril foi disputado mais um campeonato carioca sem o brilho das décadas passadas. O time do Vasco conseguiu empolgar pouco a sua torcida (ficou em 3º lugar). Apenas uma vitória sobre o Flamengo na Taça Guanabara mereceu destaque, mas já em março éramos eliminados pelo mesmo rival nas semifinais do segundo turno. O desastre seria completado com a eliminação precoce na Copa do Brasil para o ABC em pleno estádio de São Januário. Os resultados colocaram a torcida em alerta máximo para o restante da temporada. Retornando a Série A, os vascaínos surpreendem a todos com dois ótimos resultados diante de favoritos ao título. Logo na estréia em Minas (15/04), vencem o Galo e , no Maracanã, diante de um ótimo público (quase 60 mil pagantes) empatam com o Palmeiras. Entretanto, a realidade vai se mostrando tenebrosa nas próximas rodadas. O fantasma do rebaixamento volta a rondar. Especialmente durante o período de maio a julho quando perdemos 10 partidas em 11 jogos disputados. O maior alvo da ira dos torcedores era o técnico Mauricio Barbieri. Sua “cabeça” era pedida diariamente nas redes sociais. O ápice da revolta explodiu em São Januário diante do Goiás. O protesto envolveu torcedores que atiravam sinalizadores nos jogadores e depois em diversos confrontos contra os policiais. Embora todos estes incidentes não tivessem feridos com gravidade acabou com a decisão da Justiça proibindo a presença do público nos próximos 90 dias. As razões da punição ao clube motivada por preconceitos e argumentos suspeitos ao considerar a localidade “cheia de insegurança para chegar e sair”, reacenderam o sentimento de injustiça que sofremos ao longo da História. Para reverter estas situação, a diretoria contrata um novo técnico Ramón Días assume o comando do time em 15 de julho. O novo treinador foi enfático na lição de otimismo que queria passar aos seus comandados: o elenco iria lutar até o final para sair daquela situação vergonhosa. Fora de campo surgia um novo mascote vascaíno após o vídeo de uma criança ao ver a mãe depois de 16 dias em estado de coma viralizou em toda a internet. Era o início da “fama” de Guilherme Moura de apenas 8 anos e uma paixão avassaladora pelo Vasco. Logo o carisma do menino vai ganhando espaço na TV e nas redes sociais. Adotado pela torcida ele faz sua estréia no Maracanã no jogo do returno contra o Atletico Mineiro. A vitória, o bom público ( mais de 50 mil) e a apresentação do francês Payet renovaram as esperanças dos vascaínos num dos melhores momentos do ano. No mesmo período tivemos o lançamento de duas importantes biografias de ídolos do passado. Uma sobre o atacante Russinho, pelo historiador Bruno Pagano e outra pelo jornalista André Felipe Lima, sobre o Príncipe Danilo Alvim, ídolo dos anos 40 e 50 quando integrou o famoso Expresso da Vitória. O bom momento se prolongaria até setembro quando o clube pode depois de 3 meses de punição novamente contar com a presença de seus torcedores em São Januário. Na goleada contra o Coritiba (5 a 1) foi montado um mosaico em 3D com a palavra “Resistiremos”. Além disso, diversos eventos foram realizados para homenagear a primeira geração vitoriosa do futebol. Na UERJ um debate com o auditório lotado. Depois ocorreu o lançamento da 3ª camisa do clube. Apesar do bom rendimento no returno (ficamos com a 7ª melhor campanha), o time apresentava muitos altos e baixos. Algumas derrotas vergonhosas (goleadas para o Santos – com a provocação de Soteldo) e a goleada em casa diante do Corinthians (uma vitória deixaria fora da ameaça de rebaixamento). Não faltou emoção para a torcida que lotou seu estádios em todos os jogos em que foi mandante (mantendo a média de público de cerca de 20 mil). No final, com muito sofrimento, garantimos a ultima vaga. Festa e alívio geral. Para finalizar temos uma reflexão necessária pois os últimos públicos presentes no estádio de São Januario trouxeram muito orgulho para os vascaínos pois a sua torcida conseguiu dar uma inesquecível lição de amor ao clube no apoio constante ao time conseguindo lotar o estádio (média de 20mil pessoas) e esgotar a venda dos ingressos em poucas horas em todas esta últimas partidas. No entanto, há que se considerar outros dados estatísticos para uma análise mais realista. De todos os 20 clubes que disputaram o Brasileirão em 2023 ficamos apenas na 14ª posição (20.800) e a média dos rivais cariocas foi superior. É claro que é preciso levar em consideração que Fluminense (29.783), Botafogo (26.601) e Flamengo (54.449) obtiveram bons resultados em campo e sempre estiveram entre os 8 primeiros colocados. Outro dado relevante é que este ano tivemos recorde de média público em comparação com todos os campeonatos brasileiros anteriores (26.524), superando o ano de 1983 (22.953). Sendo assim é preciso dar toda atenção na política a ser adotada pelos dirigentes vascaínos nos próximos anos sobre a ampliação do nosso estádio e/ou a utilização do Maracanã.

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2024 Festa na Barreira

“O Vasco ajuda eu esquecer minhas dores” Gui, torcedor-simbolo do clube desde 2023 2024 Festa na Barreira “Enquanto houver um coração infantil o Vasco será imortal”. A famosa frase que exalta a torcida mirim vascaína nunca foi tão atual nesta temporada com a eleição em dezembro do prêmio FIFA para o pequeno e carismático Guilherme Gandra como Torcedor do Ano. Nosso menino de ouro representa o sentido de resiliência coletiva pois apesar das campanhas medíocres não impediu de ainda acreditarmos que vale a pena torcer pelo nosso clube. O ano começou com várias expectativas e muitas apreensões para os torcedores: como seria a relação do novo presidente e ex-jogador Pedrinho e a empresa 777 era a principal questão. O time em campo também era uma incógnita. Ninguem tinha certeza de bons resultados e títulos. O receio parecia ser uma profecia pois no campeonato carioca o clube não consegue superar a surpresa da competição, o modesto time do Nova Iguaçu. Atingiu a proeza de não fazer um gol no adversário em dois jogos ( mesmo com o Maracanã lotado de vascaínos. A relação do time e da torcida com o técnico argentino Ramon Diaz começa a sofrer um grande abalo. Fora de campo o orgulho vascaíno era exaltado com a comemoração dos 100 anos da Resposta Histórica. Várias lives na internet, palestras, debates e eventos celebraram esta marca que colocou o clube definitivamente como pioneiro na luta antirracista no futebol. No entanto o começo do campeonato brasileiro para sua torcida que viu seu time ser goleado para o Criciúma em São Januário e pelo seu rival no Maracanã. Os primeiros grandes protestos contra o presidente foram atônica dos comentários nas redes sociais. A fase ruim foi completada com a notícia do falecimento do famoso jornalista Sergio Cabral (14 de julho). Ele que tinha sido uma das principais figuras cruzmaltinas na imprensa esportiva. Ainda em julho tivemos o momento épico da torcida no ano com o retorno a São Januário do ídolo Philipe Coutinho depois de meses de negociação. Sua apresentação mobilizou toda a comunidade vascaína lotando o estádio. Algo inédito na proporção de público. Jamais um jogador recebeu tamanha manifestação (nem Tostão em 1972 e Bebeto em 1989 tiveram a mesma festa). Ao mesmo tempo um novo som fazia ecoar pelos estádios. A música “a Barreira vai virar baile” logo virou um hit e tomou conta do pulmão dos vascaínos em todos os cantos. Outro ponto que mereceu destaque foi o espaço em frente ao Centro Cultural Candinho. Local de histórico origem do clube no bairro da Saúde (Centro da Cidade). Virou moda os vascaínos assistirem aos jogos fora da cidade acompanhando nos telões montados. Imensas galeras se formaram e não faltou animação. O destaque ficou para os jogos da Copa do Brasil a medida que o clube avançou de fase (chegou até a semifinal com o Atletico-MG). Se em campo faltaram os títulos e as grandes vitórias, fora das quatro linhas nos restou celebrar a coroação de nosso pequeno torcedor-símbolo, Gui, de apenas 10 anos. Concorrendo pelo prêmio FIFA de maior Torcedor do Ano, o vascaíno alcançou uma conquista que muito orgulho trouxe para o clube. A legítima e indiscutível consagração de nosso garoto é a maior esperança de que dias melhores virão

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