Olimpio Pio - fundador da Torcida Organizada do Vasco
**Pioneiros da Torcida Organizada do Vasco** No início da década de 1940, quando o futebol ainda se confundia com a própria respiração da cidade, a torcida do Vasco ousou inaugurar um novo modo de vibrar: nasceu a primeira torcida uniformizada do Rio de Janeiro. À frente desse movimento estava Olimpio Pio dos Santos, figura discreta, mas incansável, que, ao lado do expansivo João de Luca, transformou arquibancadas em palcos e ruas em rios de gente. Pouco se sabe da vida íntima de Olimpio (1899–1971), mas por uma década sua presença foi chama constante entre os cruzmaltinos. Nas eleições do clube, nos jogos decisivos, nas comemorações que transbordavam do estádio para a cidade, lá estava ele — discreto, mas firme, conduzindo a massa como quem rege uma sinfonia invisível. Ainda nos anos 1930, quando a ausência de Polar, o grande líder da torcida, abriu espaço para novas vozes, a dupla Olimpio e De Luca assumiu o comando natural dos apaixonados. Não havia ainda uma torcida organizada, mas já se percebia o fervor que levava os vascainos a atravessar bairros e fronteiras para acompanhar o time. Em São Januário, um setor pulsava diferente, como se cada grito fosse tambor de guerra. O verdadeiro engajamento veio em 1941, na campanha de Cyro Aranha à presidência. Foi um movimento popular, quase épico, que uniu associados e torcedores em torno de um ideal. A vitória de Cyro abriu um período glorioso: memória preservada, aviões doados ao Brasil, um novo hino ecoando nos salões, festas juninas e carnavais que faziam do clube um coração pulsante da cidade. Em cada iniciativa, lá estavam Olimpio e De Luca — o primeiro nos bastidores, articulando com jornais e rádios; o segundo, com megafone em punho, incendiando arquibancadas ao som do “Casaca!”. No fim de 1942, inspirados pelos cinejornais que mostravam torcidas norte-americanas em êxtase, anunciaram a criação da torcida uniformizada do Vasco. A novidade, já ensaiada em São Paulo, encontrou no Rio seu terreno fértil. Mario Filho, em suas colunas, clamava para que os cariocas aderissem ao estilo. E foi no calor dessa atmosfera que os cruzmaltinos se tornaram pioneiros. O auge veio em 1945, quando o Expresso da Vitória deslizou pelos gramados e a cidade se rendeu. A charge de Lorenzo Molas eternizou o momento, mas foi a torcida que deu corpo à epopeia: bandeiras tremulavam, fogos riscavam o céu, e uma faixa unia milhares de vozes — “Com o Vasco onde estiver o Vasco”. A conquista incendiou a cidade. Uma passeata monumental tomou a Avenida Rio Branco: carros alegóricos, multidões a pé, cantos que misturavam carnaval e devoção. O Vasco, clube do povo, celebrava como nunca antes visto. O êxtase espalhou-se pelas ruas, pelos bares, pelas esquinas — um título que não apenas marcou época, mas gravou na memória coletiva o poder de uma torcida que soube reinventar o ato de torcer.
